3.16.2012
Tangerinas.
Vou contar-te a história das Tangerinas. Ou laranjas, como queiras. Tinha 6 anos quando o pai saiu de casa. Pela porta de entrada, com algum aviso prévio, sem deixar nada para trás, sem nenhuma explicação ou justificação. Ao inicio, não doeu. Não senti nada. A minha mãe sentiu tudo. Eu, ainda hoje não sinto, agora que compreendo tanta coisa que não podia compreender. A Laranjeira podia ter sido um porto de abrigo, um refugio. Ao invés, escondi-me em mim própria, escondi-me do mundo, como quem quer viver solitário e não se importa com a solidão. Escrevi, mudei de casa, passei a viver perto das Laranjas, daquelas que escrevo com maiúsculas e que me trazem tanta segurança de mim. Vivi ali durante 10 anos. 10 anos, uma soma de tantos anos e de tantas vidas. Debaixo de uma Laranjeira onde esperei por ti até ser manhã. Até ser dia, um dia que me trouxesse para perto de ti. O refúgio que nunca mais chegava acabou por me levar para outro porto. Para uma outra vida. Tenho tantas vidas em mim, e escrevo sobre elas sem nunca me cansar. As Laranjas trazem-me para uma vida onde sei que sou feliz, onde podia em paz, ser quem nunca fui. Sem medo, sem dor, sem pensar no futuro, no bem e no mal. Tu, que me fazes tão feliz, fizeste com que voltasse a sentir o calor da minha laranjeira. Agora, já cansada de tantas histórias que lhe contei, vou enfim, poder contá~las a ti. Só a ti.
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3 comentários:
Gostei tanto, minha querida! Que bom que voltaste a escrever! Já não tinha a certeza se era este o teu cantinho mas agora já te reconheci ;)
Grande beijinho,
Ana Rita*
Obrigada! Que bom é saber que estás ainda desse lado a ler o que eu escrevo :)
Beijinho*
Estou sempre aqui ;) Como sempre e desde sempre!
Beijinho*
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