3.25.2012

Em todas as ruas te encontro


Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

4 comentários:

Rita disse...

Adoro, é um dos meus poemas favoritos ;) Grande beijinho

Carolina disse...

Queria me lembrar onde o lemos a primeira vez, acho que ainda foi na escola. Lembras-te de alguma coisa? Nem sei em que altura foi...

Um beijinho*

Rita disse...

Acho que não chegámos a lê-lo mesmo enquanto matéria nas aulas mas foi em Língua Portuguesa, com o Professor Afonso. Lembras-te dele? Não eras tu que tinhas assim umas quezílias com ele? =P

De qualquer forma, "descobriste-o" no livro de Português do 9ºano! ;)

Carolina disse...

:) Grande memória que tu tens! Sim, foi isso mesmo. Andava lá perdido no livro, tal como um do Eugénio de Andrade que ainda hei de transcrever para aqui.

Então não me lembro do professor Afonso :) E eu até acho que tive quezilias com quase todos os professores de português :P

*