5.12.2012

A solidão só com ela.

“Ontem passámos o primeiro dia inteiro em casa. Num estado de namoro, de não acreditar na nossa sorte ou no nosso azar - mas de aceitá-los com muitos obrigados - dormimos e acordámos juntos, como não temos feito nos últimos dias. Depois pequeno-almoçámos com o chá chinês e as torradas alentejanas e os queijos franceses dos últimos tempos. Namorámos e portámo-nos como fugitivos, exultando por conseguirmos estar sozinhos, longe dos hospitais e dos hotéis onde nos separaram, para nosso bem.

Depois almoçámos onde sempre almoçámos, comendo o que nos apetecia - logo no lugar onde tinha previsto, na véspera, o professor João Lobo Antunes, que almoçaríamos. No mais do que maravilhoso Neptuno. Não fosse ele um perito da Praia das Maçãs e da relação amistosa entre o sistema nervoso central e o peixe, que é óptima.

O dia-a-dia é milagre, como a vida. Ter a Maria João só para mim e ser para a Maria João só para ela é o mais que se pode pedir: até aceitar é difícil. O meu amor na minha vida. E o amor dela por mim na vida dela. E estes dois amores nas nossas vidas: que maior amor, nas nossas vidas, pode haver?

A Maria João deixa cair uma coisa. Como eu estou sempre a deixar. A coisa cai e parte-se. Sem deixar qualquer ausência ou importância. Diz ela: "Deixa estar".

É isso mesmo: deixemos estar. Estar já é bom. É morrer e não estar que não são.

Só resta o que é bom. A última coisa a ir-se é a primeira que veio.

O amor é a vida: é mais. A vida é menos.”

[Miguel Esteves Cardoso, in publico]

5.10.2012

Sou assim sem saber como, sem saber ser-me sem me dar a ti. Invade-me a saudade e o sentimento de te querer sempre perto. Não são juras de Amor, é uma vida que se quer vivida. Que transpira de desejo e de sonhos que cabem em listas intermináveis. Só me sei ser por ti. Não me sou suficiente sem ti. Pudera eu ser a boca de onde te sai a voz. O teu respirar.

5.01.2012

Gosto de provas de Amor.