2.23.2007

.saudade


...mas o mais engraçado é que, mesmo assim tão breves momentos, como uma passageira brisa suave de primavera, fico deveras alegre só de te ver, nem que seja ao longe, mas quanto mais perto melhor, muito mais perto melhor, tão perto que possamos sentir os nossos olhos vidrados, uns nos outros, e que tudo o resto paralelo deixe de interessar, porque tudo o resto permanecerá lá, indefinidamente, enquanto que a nossa, minha, tua presença será tão breve que vagueia por entre os teus cabelos, escuros como a noite, lisos como a seda, doces como esses lábios que insistem em ficar longe dos meus.

...hás-de me dizer porque é que nunca partiste...

2.08.2007

Queres saber quem sou? Eu sou quem te olha e espia para te recolher e depois guardar num lugar que é só meu. Para isso serve o papel. O resto não precisas saber. Nem convém. Só te ia distrair, podes crer. Eu sou o que mergulha as mãos na tua vida para sentir a minha a voltar.


[Muito,meu amor]

2.07.2007

.leveza


Não há como testar qual decisão é a melhor, porque não há base para comparação. Vivemos as coisas conforme elas se apresentam, desavisados, feito um actor entrando frio em cena. E de que vale a vida, se o primeiro ensaio para ela é ela própria? É por isso que a vida é sempre como um esboço. Não, "esboço" não é bem a palavra, porque um esboço constitui-se das linhas gerais de alguma coisa, a base de uma pintura, ao passo que esse esboço que é nossa vida é um esboço de coisa alguma, linhas gerais de pintura nenhuma.
Milan kundera, in "a insustentavel leveza do ser"

2.01.2007


porque gosto de ti


e disse-lhe um segredo


Não partas nunca mais...