6.23.2007

.magic sound

Leave me out with the waste.This is not what I do.It's the wrong kind of place.To be thinking of you.It's the wrong time.For somebody new.It's a small crime.And I've got no excuse.

damien rice ~ nine crimes

6.20.2007

.alma gémea

há dias assim. daqueles em que a única coisa em que consigo pensar és tu. há dias em que não me sais da cabeça.e procuro inevitavelmente por ti. por alguma coisa que me faça sentir mais próxima de ti. de nós.




[andamos sempre trocados.

quase nunca queremos a mesma coisa ao mesmo tempo]

6.17.2007

.colloquies in the bed II



vais ficar?(levantas a cabeça e segues me com os olhos)
vais ou não?(continuo o minucioso trabalho de tentar limpar vestígios de tabaco no lençol)
hoje não posso.(silêncio)
amanha tenho de me levantar cedo.
faz tanto tempo que não ficas.(fixo a atenção no barulho da chuva)
já sabes.
tenho de ir para poder voltar.
(já me esquecia)

.demasiado portátil

"Já de nada serve tentares enganar-te a ti próprio (...). Acordas numa manhã igual a todas as outras com a certeza que o amor não se repete. (...) Percebes, deitado de costas, com uma irrecusável nitidez que quem amas se quer ver livre de ti para sempre e só ainda tem a piedade ou a pena de não te dizer pelas palavras mais simples. Quer que o descubras por ti e partas por tua livre vontade. Como se tivesses lugar para onde ir. Não ousas tocar-lhe, não ousas dizer uma palavra sequer, choras baixinho para que não acorde. (...) Deixou de te amar, uma coisa simples que pode sempre acontecer a quem quer que seja, está sempre a acontecer por todo o lado. Uma coisa irreversível e irreparável e estúpida como um desastre inesperado. Não ousas mexer-te, com receio de ouvires as palavras temíveis. (...) Sentes tanto medo que continuas imóvel. Não sabes para onde fugir, onde te esconderes. Quem se encontra deitado ao teu lado é o teu perigo, e não tens qualquer esperança, nem vontade, de lhe sobreviver. Sentes só uma dor aguda no peito que vai e volta para se fazer melhor sentir, uma faca que te espetam devagar e com maldade. Quem te amou e deixou de te amar, que se enganou, uma coisa tão simples como isso, tão vulgar como esta, só que és tu que estás ali parado e ferido sem te poderes levantar, sem poderes acabar o que quer que seja ou recomeçar o que quer que seja, nesta manhã igual a todas as outras em que descobres o que já sabias e maldizes a vida que por instantes vos uniu e vos separou."

pedro paixão

[parabéns para ti P.]

6.16.2007

.meros dias

continuar a achar que assim não está bem. teimosia. é como saber que tem de ser assim. só não me apetece admitir que não sei aceitar e reconhecer. deixa lá. a teimosia que me ensine a pensar assim. não quero deixar de pensar que por algum motivo as coisas vão mudar. tenho a certeza que sim. e prefiro pensar assim, do que pensar que não. assim ainda pode ser que voltes para mim.


[ devias estar aqui]






todas as historias de amor são iguais

...
Com o meu coração cansado, cansado de gostar e de deixar de gostar. Cansado de lembrar e ver, de ver a lembrança à minha frente, e a felicidade atrás de mim, cansado do presente, de ver e de comparar uma com a outra. Cansado de discutir, de não explicar, não perceber, não ser percebido, de perdoar e não ser perdoado.
Cansado de sorrir do meu sorriso, da maneira que a lágrima tem de cair e secar, das portas, das janelas, do ar dentro das casas. Cansado de me animar, de me apanhar a meio do chão, de me meter no carro, de me servir, de me levantar.
Com o meu coração cansado de não saber o que sente, e de descobrir sempre de repente o que não sabe. Com o coração cansado de saber. Cansado de mentir. Cansado de esquecer. Mas coração, mesmo assim.

[só tu não cansas. és vicio]

6.14.2007

.red shoes

_compra-me uns sapatos vermelhos. com o verdadeiro toque feminino. uns que tenham um salto frágil. que se partam, como os da menina do filme. compra-me uma ilha. leva-me para lá. deixa-me lá ficar. fica lá comigo. toca-me uma música. os dedos encruzilhados nas cordas da tua viola. compra-me um livro. escreve lá dentro tudo. escreve na primeira página. constrói um barco. pode ser uma canoa, tanto faz. leva-me ao mar. leva-me a qualquer lado. a um qualquer menos este. faz qualquer coisa. já sabes que eu sou assim. preciso de provas de amor. não do amor. ao amor prefiro o vicio._


[não te tiro da cabeça. não quero]

.another life

penso em ti ainda. de maneira diferente. mas penso. não sei bem o porquê. se calhar foi o que sempre pensei. estamos ligados por um fio invisível. tenho a alma presa a tua. a telepatia. não fui eu que quis que fosse assim. mas tinha mesmo que ser. há coisas que têm mesmo de ser. por mais que a espera se torne longa. por mais que pareça que não. ás vezes tem mesmo de ser assim. mais vale deixar que seja. não fazer perguntas. nem perder tempo de mais a arranjar uma justificação. ou até mesmo uma solução. gosto mais de pensar que se é assim é porque tinha de ser.





[i'll see you in a next life.]

.colloquies in the bed I

(vira-se)

olha lá

podes dizer-me o que é que se passa?

(viro-me)

nada.

nada?

(silencio)

eu já sei reconhecer o nada e o alguma coisa.

(baixinho. quase sem tom)

então devias saber que não é nada.

(vontade de gritar. confusão)

disse alguma coisa?

(riso)

tu nunca dizes nada.

(outra vez silêncio. mais duradouro)

e isso quer dizer o que?

(humpf)

olha, não sei explicar. podemos adiar esta conversa para outro dia? já adiamos tanto que mais um dia não faz mal.

(nervos. nervos.nervos)

tens a certeza?

(não, claro que não)

tenho.

(sorriso. outra vez)

é o meu dever respeitar isso, não é?

sim, é.

(beijo na testa)

(sorriso. vontade incontrolável de chorar.)


[sleep well, my love]



6.13.2007

.a kafka


"(...) nós precisamos de livros que nos afectam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio."

Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904

.do outro lado da rua

talvez não mereças, mas é assim que tem sido. se calhar a culpa é minha. embora seja mais fácil culpar-te a ti. até pode ser falta de coragem. sentir-me culpada. nem que seja um bocadinho. é mais fácil culpar-te a ti. olha que ás vezes também sinto a tua falta. mas não digo. já sabes, sou assim. não aprendi ainda o verbo. não aprendi a verbalizar. porque acho que ainda não cresci o suficiente. ainda estou a aprender. tu és (foste) uma lição. o problema é que ainda não a aprendi. ainda não a sei de cor. porque é mais fácil culpar-te a ti.


[um dia escrevo-te. prometo]
[estas a ver? se aqui estivesses isto não era assim. não podias pelo menos estar aqui? só estar. ja não peço muito. já não me importo de ficar com o que sobra de ti.raiva.devias estar aqui. afinal, sempre fazes falta]

.espaço


"O gelo é frio e as rosas são vermelhas. Estou apaixonada. E este amor vai decerto arrastar-me para longe. A corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. Mas já não posso voltar atrás. Só posso deixar-me ir com a maré. Mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre"

in, "sputnik, meu amor"

[deu me para isto. tiras-me a inspiraçao]

.porque sim

« o meu coração dá-te como morta, mas tenho a tua imagem, o teu rosto deitado sobre o meu como se dormisses sobre mim. Guardo-a contra o tempo e contigo, para levar no momento em que eu deixe de viver. Nós somos tão brancos. Com a tua escuridão e a minha cegueira, nós somos tão brancos e tão parecidos que me custa abrir os olhos e não te ver. »

in, "cemitério de raparigas"

[hoje apetece-me...]

.that

31,31...


3,3...




[cansaço]

.always

“Oiço essa voz escrita, isso basta-me muitas vezes para adormecer. Lembro o cheiro do café logo de manhã, ou ao entardecer, entre os insectos na varanda. O aroma do tabaco. Estar descalça no chão. Nadar. Pão. Queijo. Dois livros ou três (…)”

in "a noite, o que é?"

6.12.2007

.dias assim

apetece gritar. gritar-te. arrancar-te cá de dentro. expulsar-te. duma só vez. num só grito.


vicio.


ficaste-me na memoria. trago-te ca dentro, preso na memoria. na alma.

[doce veneno]

.sombra_

tens medo? eu sei, também tenho. ás vezes passa. as vezes quando te sentas de costas, as mãos abertas debaixo do queixo. dois segundos. pensas. eu penso. sei que é a altura. talvez fosse a altura certa. tu queres dizer. eu também quero. parece que pensamos o mesmo. aquilo que queremos dizer é exactamente igual. igual ao que nenhum de nós consegue dizer. fico sempre a espera que o digas. sempre a espera de ser eu a dizer. aquilo que já não da para esconder. aquilo que quero, que tenho de dizer.
um dia, quando for o momento certo. talvez já seja tarde demais. e aí a verdade pode mudar. uma coisa do tipo. quando me quiseres, já não vou estar aqui para te querer.

[Maybe you’re better off this way.]

6.11.2007

.time(out)

need you.

5.08
5.09
5.10
5.11...

the clock stops.
you're not here. with me.
I am useless when you are not with me.

[vicio]

.coisas do pedro


Há dia, sabes, em que gostava de ser como o gato e que me tocasses sem desejar encontrar quaisquer sentimentos a não ser o que se exprime num espreguiçar muito lento - um vago agradecimento? - e que depois me deixasses deitado no sofá sem que nada pudesses levar da minha alma, pois nem saberias o que dela roubar.


[pedro paixao, in "assinar a pele"]

.lovely


"You and me. Meant to be. Immutable. Impossible. It's destiny. Pure lunacy. Incalculable. Insufferable. But for the last time. You're everything that I want and ask for. You're all that I'd dreamed."


[stand inside your love]

.09/07/2007


"tomorrow's just an excuseand .you can make it last, forever you.you can make it last, forever you."


[eu vi o chuva no acorde do billy!]

[private joke]

6.07.2007

e vi.

[não é a mesma coisa. mas penso em ti outra vez.]

.onde more step


as mãos tremem. não me sais da cabeça. levanto-me. há qualquer coisa que ficou por dizer, por explicar ou esclarecer. um cigarro agora ia bem. tiras-me o sono e a inspiração, amor impossível, tardio e sufocante. preciso da tua música. de distracção, que ela te tire daqui. já sabia que ias ser mau para o negocio, ias viciar, habituar, querer mudar. há qualquer coisa aqui, há qualquer coisa no caminho, qualquer coisa que me faz querer ficar aqui. parte desta confusão que fazes comigo.

és a dor. doí pouco, mas doí. doí devagarinho quando ataca o pensamento e a constante convicção de querer ser forte, parar pelo caminho. a verdade, é que não sei como. já avancei de mais (ou avançamos os dois?). eu não sei parar. sinceramente, também não sei se quero parar. e mesmo se quisesse acho que já não ia saber como parar. e só preciso de dizer. de falar. de agir.
e talvez de vez em quando doa um bocadinho. talvez de vez em quando
seja um bocadinho maior do que quero ver. esta coisa que não digo, e que não é o que podia gostar de ver. mas não é. e dói como se fosse. só que só um bocadinho, e só de vez em quando.


[não tenho a certeza se és tu, mas és o mais parecido com o que de melhor tive.]




.hoje

todo este imenso nada. sente-se como se fosse tudo.



são hábitos, vícios, dependências.



[são as ilusões.]

6.04.2007

.tu*eu


- tantas saudades...

- posso ficar aqui para sempre?

- claro...

- agora és minha...

- já era

- mas agora és mais...


- tinhas saudades?

- muitas...

- mesmo?

- mais do que possas imaginar...


- porquê eu?

- porque nao podia ser mais ninguém...

- és um vicio...

- vicia-te... vicia-me...

- beija- me...

.de novo

But now i know...

it will never... between me...

again....
where are you?

I thought you'd be there...


You've left me... forever...

again...