10.09.2012

Reaprendo a falar, reaprendo a saber estar, reaprendo a pensar, reaprendo a comunicar. Se bem me lembro costumavas a fazer tudo por mim, e eu já não me importava que fosse mesmo assim. Ao principio foi difícil mas vai valendo a pena.
Nunca pensei que a vida pudesse ser serena.
Sem ti, ao lado de ti,
Para ti, só para ti
Para não me esquecer de ti
Escrevo sobre ti.
Reduzo-te agora ao teu verdadeiro valor
Só no meu imaginário
Poderias ser o meu amor.
Para me dares quase tudo,
Tiraste-me quase tudo,
Paciente, omnisciente, cego, surdo e mudo
Este é o primeiro dia do resto da minha vida
Aproveito para te escrever


A minha despedida.

10.02.2012

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente

Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"

9.20.2012

Nem quero falar de ti que afinal não sei quem és. Conhecemos-nos?, dizes. Eu já não sei, eu já não sou quem era. Nem se algum dia fui, se está ao meu alcance sequer. O tempo há-de nós fazer melhores ou então nunca me hás de conhecer.

8.29.2012

Estranhos são os corpos que pouco comunicam entre si. A inutilidade com que se desenham as palavras que não encaixam na do outro, a subtileza com que são ouvidas e quase nada reconhecidas. Parece atento. Da boca, da que diz frases que se escutam, e ouve-se ao longe uma felicidade que ainda não se conhece. Está tudo bem, ali. Está, por agora. Porque não se conhece outra vida. Mas são só palavras e parece que escutá-las ou não pouco importa. Que o tempo passa mesmo assim, só passa mais devagar.

8.28.2012


Pressinto a sombra que me acompanha, que hoje o dia não traz mais o teu cheiro. Adormeço num acordar constante. Preciso de ti para me lembrar de mim.

8.22.2012

.história

Ele diz, Amor e ela diz, Amor. E juntos são um só. Nos dias assim em que nenhum segundo do dia mata a saudade que trazem no peito. A saudade de serem só um. E pensava que dois não podiam ser um só, não acreditava ser possível. Há dias em que tem de se agarrar a pele quente, puxá-la de um só fôlego para se convencer de que ele existe.


fotografia: Carlos Moreira

8.19.2012

As portas que se fecham. O mecanismo apressado que empurra os corpos, ora para dentro, ora para fora. As pessoas que só passam e não ficam, vão apressadas. Somos só gente que passa e não fica. Somos só nós que a vida é outra coisa e é muito mais.

Deixas um vazio. O lugar vazio.

8.17.2012

Os teus passos apressados. Os teus passos que sigo com pressa de fugir de mim, que agora já só querem encontrar-me. Calco o chão que é quente, onde te persigo, dia após dia.

8.05.2012

O frio


Miguel Esteves Cardoso, no Público de 04/02/2012


"Está frio. Seria bom acordarmos ao meio-dia, chatearmo-nos com o tempo e deitarmo-nos às seis da tarde. A hibernação faz sentido. Foi pena a evolução ter-nos roubado essa capacidade, se é que alguma vez passámos por ursos, que é o mais provável.
Só com muito optimismo se pode dizer, como já ouvi, que, a partir do meio-dia, as tardes parecem as madrugadas frias do princípio do Verão. Está frio e a chatice do frio, para quem tem sorte, é estar sempre a mudar de temperatura. Só na cama, quando se acorda ou depois de amor carnal, é que se fica com a temperatura certa.
Durante o resto do dia e da noite ou se está frio de mais ou quente de mais, ou, pior ainda, a transitar de frio de mais para não suficientemente quente ou de quente de mais para um frio demoníaco.
Cada abertura de uma porta, cada vestir ou despir de uma camisola, cada entrada ou saída duma casa, dum carro ou duma sala é uma ameaça, um ataque, uma desilusão. O frio é uma lembrança de como dói não estarmos livres de sofrer (embora o resto do mundo nos ache com sorte).
Está frio. Mas não há ninguém que nos defenda. Até porque estamos, porventura irritantemente, melhores do que os outros todos. Que também não estão com calor.
O frio é a nossa praga, rainha, oportunidade de nos passarmos para o outro lado. O frio que está é uma lembrança do futuro. É um sinal que temos de lutar para estarmos quentes. Cada dia é uma queda física, à espera de uma ascensão de qualquer espécie. Aqueça-se."

7.31.2012

Do pedro. Em minúsculas.

No tecido antes perfeito o rasgão irreparável. O que nos une é o que nos separa. O mais seguro é escapar para o lugar de maior perigo. As palavras são suspiros. Vou sozinho como uma sombra. Partir sem saber quando, ou como. Se não fosse a cega coragem para onde seguiríamos? A viagem que fazemos não é nossa, outros a começaram, outros a terminarão.

ASFIXIA

7.30.2012

Porque os dias me esmagam de mais por terem tempo a mais.

7.21.2012


Ouve-se um silêncio que não é nada, numa sombra estranha que te persegue a cada passo, e vais fugindo de ti. Não procuras alcançar o que já não é teu. Traças o teu caminho, devagar. A solidão pode salvar-te os dias, mas não é nela que procuras abrigo. Procuras um chão que te guie, que te diga como e para onde seguir. É assim que te deparas com o silêncio. Um silêncio frio que te come a pele cansada. O caminho é longo. Foste tu que o quiseste assim.

7.16.2012


Esta é a tua vida. A que deixas passar entre os dedos das tuas mãos, sem que a agarres porque não precisas. É tua. Fazes da tua vida e da coragem que nela encontras, o destino que quiseres. O que procuras está tão perto que sentes como que um arrepio na pele quando projectas o tanto que desejas. Reconheces-te por onde passas. Agora, que agarraste uma vida que é a tua.

7.14.2012


E o prazer é a recompensa que acompanha o bom trabalho, entre todos o mais difícil, agora perto, muito perto, o trabalho do amor.

[Paixão]

7.08.2012


sou uma prisão de que fujo, a que regresso.

7.06.2012




Acumulas na memória dias de uma vida que já foi a tua. Há quem te aponte o dedo porque não sabe nada, não sabem nada. Corres depressa porque agora já sabes para onde vais. Deixas tudo para trás e às vezes nem achas bem. Quem fica, fica por cá. Acolhe-te quando ainda assim te observam ao longe, à luz húmida que ofusca os dias que já passaram. Não levas nada contigo e sabes que vais encontrar tudo outra vez. Este é o teu lugar. Não podia ser outro.

6.18.2012

Acto Contínuo.

No inicio somos nós. No princípio sou eu e és tu e não há mais nada. Não existe um começo porque começamos aqui sem ter mais para onde ir, sem ter um lugar de onde voltar. Estamos nós como nos quisemos à tanto.
Estamos aqui e não vamos a lado nenhum. Nem temos para onde ir sem nós. Vamos só continuar.


Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar.

6.16.2012

Faço parte das sombras que aqui vão ficando. Dos passos que são demorados, nas palavras que na noite se vão misturando.






Já sou só de mim própria.

6.14.2012

Deixa-te estar. Só.

5.12.2012

A solidão só com ela.

“Ontem passámos o primeiro dia inteiro em casa. Num estado de namoro, de não acreditar na nossa sorte ou no nosso azar - mas de aceitá-los com muitos obrigados - dormimos e acordámos juntos, como não temos feito nos últimos dias. Depois pequeno-almoçámos com o chá chinês e as torradas alentejanas e os queijos franceses dos últimos tempos. Namorámos e portámo-nos como fugitivos, exultando por conseguirmos estar sozinhos, longe dos hospitais e dos hotéis onde nos separaram, para nosso bem.

Depois almoçámos onde sempre almoçámos, comendo o que nos apetecia - logo no lugar onde tinha previsto, na véspera, o professor João Lobo Antunes, que almoçaríamos. No mais do que maravilhoso Neptuno. Não fosse ele um perito da Praia das Maçãs e da relação amistosa entre o sistema nervoso central e o peixe, que é óptima.

O dia-a-dia é milagre, como a vida. Ter a Maria João só para mim e ser para a Maria João só para ela é o mais que se pode pedir: até aceitar é difícil. O meu amor na minha vida. E o amor dela por mim na vida dela. E estes dois amores nas nossas vidas: que maior amor, nas nossas vidas, pode haver?

A Maria João deixa cair uma coisa. Como eu estou sempre a deixar. A coisa cai e parte-se. Sem deixar qualquer ausência ou importância. Diz ela: "Deixa estar".

É isso mesmo: deixemos estar. Estar já é bom. É morrer e não estar que não são.

Só resta o que é bom. A última coisa a ir-se é a primeira que veio.

O amor é a vida: é mais. A vida é menos.”

[Miguel Esteves Cardoso, in publico]

5.10.2012

Sou assim sem saber como, sem saber ser-me sem me dar a ti. Invade-me a saudade e o sentimento de te querer sempre perto. Não são juras de Amor, é uma vida que se quer vivida. Que transpira de desejo e de sonhos que cabem em listas intermináveis. Só me sei ser por ti. Não me sou suficiente sem ti. Pudera eu ser a boca de onde te sai a voz. O teu respirar.

5.01.2012

Gosto de provas de Amor.


4.23.2012


Somos do lado errado do mundo. Estamos aqui sem nunca estar, sem ser nada e querer ser tanto.

4.22.2012

Com o coração nas mãos e um olhar perdido nas coisas insignificantes do Mundo, pensou para si que os dias assim como os imagina inalteráveis, quietos, Teus, estão longe demais. Já não há Domingo que o seja, sem ser como o deseja, já não há hora que se suceda sem que o pensamento não esteja longe, a ocupar o teu. Só o corpo pertence ao espaço que habita. Ao Domingo, que será demasiado longo, demasiado quieto.

4.18.2012

Nox

Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Antero de Quental, in "Sonetos"

4.17.2012

Do comum.

As palavras.
A música.
A fotografia.
Os gestos.
A solidão.
As promessas.
As horas.
A chuva.
As bicicletas.
O desejo.
A vontade.
O passado.
As pontes.
O medo.
O sorriso indescritível aos meus e aos teus olhos. O sorriso. O único.
Os domingos.
Os passos.
Os suspiros.
A saudade.
A vida. Minha. Tua.

[Falavam do comum. De lábios gastos. e de olhar perdido.

- Amo-te por tantas razões.
- Diz vinte. ]

4.14.2012

Para além do destino.

Fica mais um pouco, por favor. Fica na minha pele. Tatua o teu destino na minha pele. Sabe a tanto quando ficas. Sabe a dias intermináveis, a palavras cheias de sentido, cheias de ti. Tanto tempo esperei pelos gestos simples que não sabia sequer possíveis fora das palavras dos livros que li. Sabia de ti, desconhecia que fosses assim. Que pudesses ser. Eu estive sempre assim, sem ti, este tempo todo. Sem o teu calor, o teu toque, o teu olhar. Qualquer agradecimento não fará sentido, será sempre pouco. Como o tempo. Sempre a passar demasiado depressa e demasiado devagar quando não estás aqui. Fica para sempre. Até ser domingo todo os dias e o chá queimar demais os nossos lábios.

4.13.2012


Há pessoas que entram na nossa vida para ficar para sempre. E ainda bem. Fica para sempre, por favor.

O desejo. O beijo.

4.12.2012

Dias.

Matas-me, assim. Roubas-me o chão. Calas a minha boca com a tua. Inundas a minha alma. O meu pensamento, o meu corpo. Transformas-me. Doce veneno, quero morrer nos teus braços. Quero acordar em ti, adormecer em ti, sentir tudo o que tu sentes, ouvir-te falar, suspirar, gemer. Quero escrever-te assim. Quero Amar-te até acabar todo o amor no Mundo. Todo o tempo no Mundo. Nosso. Meu e teu.

4.10.2012

Mundo.

Há dias a mais. Tempo de mais e gente de mais. Do que eu não gosto é de gente. Gente em todo o lado, demasiada gente para o mundo tão pequeno. O que eu mais queria era tu e eu, eu e tu e o mundo só nosso. Todos os lugares só nossos para fazer as coisas que são também só nossas. Do que eu não gosto é do mundo e de todo o tempo que há nele sem ti. Sem as tuas mãos. Tens o mundo nas mãos e ainda assim ele parece-te cada vez menor, cada vez menos. Só nós somos mais, mais que o mundo inteiro. Roubei os teus lábios, decidi ainda que decidir não seja tarefa fácil, que são meus. Vou levá-los comigo. Tem paciência, mas esta noite são só meus. Prometo que amanhã tos devolvo.

[Tenho todo o Amor do Mundo. O Amor que só a ti te sei dar.]

4.08.2012

Da saudade:


Que o dia que amanhã virá não seja um dia como os outros.
Já não há dias como os outros.
Os meus dias são teus.
O meu Amor é teu.