9.20.2012

Nem quero falar de ti que afinal não sei quem és. Conhecemos-nos?, dizes. Eu já não sei, eu já não sou quem era. Nem se algum dia fui, se está ao meu alcance sequer. O tempo há-de nós fazer melhores ou então nunca me hás de conhecer.

8.29.2012

Estranhos são os corpos que pouco comunicam entre si. A inutilidade com que se desenham as palavras que não encaixam na do outro, a subtileza com que são ouvidas e quase nada reconhecidas. Parece atento. Da boca, da que diz frases que se escutam, e ouve-se ao longe uma felicidade que ainda não se conhece. Está tudo bem, ali. Está, por agora. Porque não se conhece outra vida. Mas são só palavras e parece que escutá-las ou não pouco importa. Que o tempo passa mesmo assim, só passa mais devagar.

8.28.2012


Pressinto a sombra que me acompanha, que hoje o dia não traz mais o teu cheiro. Adormeço num acordar constante. Preciso de ti para me lembrar de mim.

8.22.2012

.história

Ele diz, Amor e ela diz, Amor. E juntos são um só. Nos dias assim em que nenhum segundo do dia mata a saudade que trazem no peito. A saudade de serem só um. E pensava que dois não podiam ser um só, não acreditava ser possível. Há dias em que tem de se agarrar a pele quente, puxá-la de um só fôlego para se convencer de que ele existe.


fotografia: Carlos Moreira

8.19.2012

As portas que se fecham. O mecanismo apressado que empurra os corpos, ora para dentro, ora para fora. As pessoas que só passam e não ficam, vão apressadas. Somos só gente que passa e não fica. Somos só nós que a vida é outra coisa e é muito mais.

Deixas um vazio. O lugar vazio.