Somos do lado errado do mundo. Estamos aqui sem nunca estar, sem ser nada e querer ser tanto.
4.23.2012
4.22.2012
Com o coração nas mãos e um olhar perdido nas coisas insignificantes do Mundo, pensou para si que os dias assim como os imagina inalteráveis, quietos, Teus, estão longe demais. Já não há Domingo que o seja, sem ser como o deseja, já não há hora que se suceda sem que o pensamento não esteja longe, a ocupar o teu. Só o corpo pertence ao espaço que habita. Ao Domingo, que será demasiado longo, demasiado quieto.
4.18.2012
Nox
Noite, vão para ti meus pensamentos,

Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...
Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...
Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,
E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!
Antero de Quental, in "Sonetos"
4.17.2012
Do comum.
As palavras.
A música.
A fotografia.
Os gestos.
A solidão.
As promessas.
As horas.
A chuva.
As bicicletas.
O desejo.
A vontade.
O passado.
As pontes.
O medo.
O sorriso indescritível aos meus e aos teus olhos. O sorriso. O único.
Os domingos.
Os passos.
Os passos.
Os suspiros.
A saudade.
A vida. Minha. Tua.
[Falavam do comum. De lábios gastos. e de olhar perdido.
- Amo-te por tantas razões.
- Diz vinte. ]
4.14.2012
Para além do destino.
Fica mais um pouco, por favor. Fica na minha pele. Tatua o teu destino na minha pele. Sabe a tanto quando ficas. Sabe a dias intermináveis, a palavras cheias de sentido, cheias de ti. Tanto tempo esperei pelos gestos simples que não sabia sequer possíveis fora das palavras dos livros que li. Sabia de ti, desconhecia que fosses assim. Que pudesses ser. Eu estive sempre assim, sem ti, este tempo todo. Sem o teu calor, o teu toque, o teu olhar. Qualquer agradecimento não fará sentido, será sempre pouco. Como o tempo. Sempre a passar demasiado depressa e demasiado devagar quando não estás aqui. Fica para sempre. Até ser domingo todo os dias e o chá queimar demais os nossos lábios.
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